quinta-feira, 28 de junho de 2012

Escolhas


 Eu estava vendo agora um vídeo do Phil Collins de 1985.

Pensei, depois de vê-lo cabeludo, animado, jovenzao: “como ele mudou, nossa!“

A vida nos muda ou mudamos na vida, ou os dois!

A diferença é que não há uma câmera filmando cada um de nós para gravar as diferenças do que fomos e do que somos hoje.

Uma das maiores benções de estar vivo é poder mudar! Bem, não morri ainda para comprovar se na morte há mudanças, creio que sim! rs

Estamos a mercê de muitas coisas, mas na maioria das vezes temos o poder da escolha.

Atualmente tenho a consciência de que o meu hoje é exatamente fruto de minhas escolhas. Todo não e sim que recebi, escolhi lá atrás, coisas simples e bobas definem o meu hoje.
Se eu faria inglês na escola, se eu praticaria basquete, se eu estudaria biologia, se eu escolheria ler um artigo sobre aquecimento global, se eu terminaria um namoro problemático, quem eu escolheria como companhia, que tipo de lugares eu freqüentaria, quanto eu me dedicaria para uma prova....

Por exemplo, hoje não somos obrigadas a nos casar, casamos quando e se quisermos.

Escolhemos a profissão, a universidade, o emprego, a comida, o carro....e por ai vai, escolhemos quase tudo!  Uma bênção!

Temos a opção de escolha.

Escolhemos hoje e colhemos amanhã! Temos liberdade para isto. Escolhemos o que desejamos, mas a colheita geralmente é uma só.

O ideal seria se fôssemos como um copo vazio que ao longo da vida se preencheria, mas nunca se completaria...no qual sempre caberia novas idéias e mudanças...

Enquanto num copo cheio, tudo que tenta entrar cai pelas bordas....

Triste a vida seria se nada mudasse, se fôssemos sempre os mesmos, se o mundo estivesse nos mostrando escolhas novas e escolhêssemos permanecer na mesma.

Fico grata pelos cabelos brancos que já aparecem, por perceber que a vida muda e eu mudo também, por dentro e por fora. Recebo de braços abertos a idade trazida pelos novos dias e com eles, as novas possibilidades de escolha, sinal de que não estamos parados!

E vida longa e cheia de mudanças a todos nós e ao Phil Collins também! =)



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Últimos dias na Tailândia

Aqui publico um email que escrevi para alguns familiares e amigos ao fim da minha viagem a Tailândia, falando do que vi e um pouco do que aprendi.
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Chego ao fim desta minha viagem, hoje é o último dia de Tailândia desta vez.

Amanha já passarei o dia nos aeroportos da vida. De Chiang Mai vôo pra Bangkok, dai pra Mumbai, dai pra Londres, de lá pego ônibus pra Cambridge e daí pego um taxi pra casa! Iupiiiii!!!!

Já sinto que está na hora de ir pra casa. Depois de tanto trabalho duro, senti cansaço e saudade de casa que nunca ficou de lado completamente.

Saio daqui com meu coração transbordando de alegria, de aprendizado, de bagagem acumulada e de boas recordações.

Nossa, tenho tanta coisa boa pra contar, vi tanta coisa ótima e tanta coisa que precisaria ser mudada no mundo, aprendi muito e volto ainda mais determinada a seguir firme na busca por um mundo melhor pra todos: homens e animais.

A fundadora da ONG dos elefantes se chama Lek e não posso pensar nela que tenho vontade de chorar de emoção literalmente. Ela é pequena de tamanho como o apelido “Lek” já diz, significa “pequeno” em
tailandês, mas é infinita na bondade!

Ela nos mostrou um vídeo sobre elefantes e sua situação na Tailândia e conversou com meu grupo por uma hora mais ou menos. Eu nem pisquei nas palavras dela, pois são contagiantes. Eu queria muito chorar enquanto a ouvia, mas não chorei, pois não pararia.

Sabe quando a pessoa te emociona por ser tão boa de coração? Ela é assim, contagia todo mundo sem fazer nada de especial.

Ela entrou na sala de vídeo e 4 cães a seguiram, dois subiram em cadeiras, se ajeitaram e dormiram – foi muito engraçado! Os outros dois se espalharam pelo chão mesmo. Onde ela vai, eles vão junto! Hehe

Eu não chorei na hora como lhes contei, mas depois de 6 semanas tendo boas risadas, sinto que preciso chorar de felicidade também!

Não sei o que mais me fez feliz aqui...se os bons amigos que fiz - topei com tanta gente jóia e as que não eram jóia acho que não ficaram perto de mim, graças a Deus. Pessoas que vão deixar saudade e bons momentos marcados.

Se foi fazer parte de bons atos, de ajudar gente que só quer fazer o bem, como no projeto dos gibões ou no dos elefantes...  

Se foi conhecer mais da cultura do budismo, viver num mundo leve e sorridente, gentil e honesto. Outra vez a sorte esteve comigo: todo troco a mais que dei foi devolvido, tudo que quis fazer deu certo, se não fiquei no melhor quarto na ONG dos elefantes, achando que seria má sorte...estava enganada de novo: fiquei na casa de bambu, com frestas por todo lado, chão que balançava ao pisar, mas era o único lugar com chuveiro quente! =)

Eu sei que nada é perfeito, mas o mundo me sorri por aqui. Talvez porque eu sorrio pro mundo, talvez por que sou sortuda, talvez por que Deus gosta de mim e me reserva uma vida cheia de bons desafios ainda...ou talvez porque eu escolho ver o mundo colorido.

Nem sempre vejo a cor do mundo, muitas vezes é a realidade dura que está em todo lugar que vejo, mas bons momentos como estas 6 semanas que chegam ao fim, me dão força pra continuar firme e forte!

Tem gente que fala que eu não tenho senso de humor...coisa que vem desde minha época de cursinho – tempo de estresse e desafio – acho que não tinha senso de humor mesmo aquela época! Hahaha

Mas aqui as pessoas me falam que vão sentir falta das minhas risadas e dos meus momentos engraçados. Escutei tanta palavra linda, ganhei presentes de despedida de pessoas que nem falavam inglês.

Ser útil é ser feliz! E nada melhor que estar rodeada de animal por todos os lados. Eles são anjos peludos ou com pele grossa ou cobertos de penas, mas estão aqui pra dar graça ao planeta!

Em trabalhos voluntários o negócio é vir com o coração aberto e pronto pra receber os desafios, que são muitos e constantes! Mas o resultado vale a pena. Mais amigos espalhados pelo mundo, mais conhecimento de culturas e povos e a sensação de ter contribuído.

No final da semana na ONG dos elefantes eu senti o cansaço das quase 6 semanas longe de casa. Minhas mãos tinham calos, estavam grossas, minhas roupas sujas, meu cabelo seco feito palha (exagero! haha), minha perna cheia de roxo...meu corpo precisava de folga, mas minha mente estava feliz! =)

Depois da mensagem da Lek, que contarei a vocês em detalhes outro dia, o que fica desta ultima semana é a mensagem dos elefantes.

Todos os que estão no parque foram resgatados do trabalho do corte ilegal de árvores e das agências de trilha de elefantes – acho que o maior turismo tailandês é fazer trilha nas costas dos elefantes, andar pelo mato, pelos rios nas costas deles e etc.. (o que acontece na Índia, Miamar, Laos, etc)

Bem rápido só pra explicar de leve: pra um elefante ser domesticado, ele sofre muito quando pequeno. O treinamento tradicional é brutal – amarram o animal por semanas em cercados do tamanho exato do seu corpo, batem neles sem parar, geralmente uns 5 a 15 homens pra dar conta. Depois da tortura soltam o animal da jaula, mas mantêm eles em correntes...mais tortura...e no final de tudo, o cerne do elefante se perdeu na violência.

É comum e corriqueiro eles serem cegos de um olho pelo menos pra facilitar o treinamento.

O mahout, que é o homem que vive com o elefante a vida toda, pode ser gentil ou não, e no caso da maioria, eles usam ganchos que machucam pra fazer o animal obedecer...

Não é lenda, o mais comum de tudo é ver elefantes serem guiados por mahouts com um cajado e gancho na ponta.

Depois de anos assim os elefantes ainda nos amam e são gentis. Vivem conosco, trabalham pra nós e nos perdoam.

Há elefantes cegos na ONG, há elefantes com meio pé, pois o resto explodiu na mina que ele trabalhava, há elefante com o quadril todo torto, pois quebraram seus ossos e ainda o punham pra carregar madeira.

Há elefantes que viram seus filhos morrerem na sua frente, pois não podiam parar de trabalhar pra alimentar o bebe... e há órfãos que viram suas maes morrerem de tanto trabalhar...

Elefantes são como a gente, tem um forte laço social, ficam de luto pelos que morrem, são inteligentes e perdoam como ninguém.

Eles são gigantes gentis. Com toneladas de peso que podiam me esmagar num segundo, eles me tocavam com a tromba, me olhavam com olhos cheios de pensamentos, aceitavam a minha curiosidade e o meu medo de ser esmagada...

Eles se deixam comandar...

Eles jamais esquecerão que seres humanos foram os responsáveis pelas suas torturas, mas sabem perdoar e aceitam os que não os causam dano.

Como dizem: elefantes jamais esquecem...e adiciono mais duas palavras: elefantes jamais esquecem,  mas perdoam!

Um dia conto pra vocês tudo que aprendi deles nesta semana. Um dia pedi pra ficar o dia todo com um mahout e aceitaram. Acordei as 6 da manha e segui o Tony, um mahout da Bélgica que está cuidando da Jarunee por 3 meses e treinando um dos elefantes bebe do parque.

Ele não usa violência como vocês podem imaginar, ele usa a mesma técnica de reforço positivo que aprendi na ONG em Munique. Ele nem toca na elefantinha, mas ela já sabe erguer o pé, ir pra frente e pra trás, dar a tromba etc. Tudo pelas bananas que recebe! Hehehe

Elefante aqui é como cão, se pode ter em casa, se pode comprar e vender...e a única forma de se conviver com eles é educando. Uma vez que já não há quase floresta pra que eles vivam soltos, o jeito é ter certa educação e um mahout que lhes ama de verdade.

A Jarunee foi cega de um olho quando trabalha com turismo se não me engano, daí no parque mesmo o antigo mahout não cuidou do olho bom que não era tão bom assim e então ela ficou cega de vez. O mahout foi despedido e agora o Tony está com ela.

Os mahouts do parque são birmaneses resgatados do campo de refugiados. A Lek os busca e lhes dá nova chance de vida. Muitos, como este ex mahout da Jarunee, não entendem o treinamento de não violência ou de amor, o que continua sendo um desafio pra Lek mesmo em seu parque.

Lá ninguém bate nos animais, muito menos usam cajados ou ganchos...mas ela espera mais, mais cuidado, como o de evitar que um elefante perca a visão do olho por desleixo.

Só pra constar, tem um mahout que todo dia dá uma flor pro seu elefante no parque! Tenho até foto pra mostrar. =)

Eu fiquei com a Jarunee por um dia, como ela é cega era ainda mais perigoso, pois ela poderia me esmagar sem me ver que estava em cima de mim.

Só sei que meus olhos se encheram de lágrimas ao passar pelo recinto dela no último dia...eu já sabia que fruta que ela gostava, já me via colhendo figo no pé e procurando o Tony no campo pra dar as frutinhas pra ela.

Eles são assim: super fáceis de amar e difíceis de largar!

Depois de viver entre 70 cães soltos, gatos por todo lado, urso, cavalo, búfalos e elefantes...voltar pra cidade fica meio sem graça, mas é assim que deve ser por enquanto.

Levo tanta coisa maravilhosa desta viagem e um coração tão cheio de felicidade que só posso agradecer à
Deus sem parar e à todas as pessoas e coisas que me fizeram estar aqui agora...meus pais, minha família, meu marido que me apóia em tudo e mais um pouco, meus amigos, meus cães que me mantém saudável  e com a mente limpa, todos os outros exemplos de gente que fazem a vida dos outros e dos animais melhor, que foram ou sao minha inspiração...tudo aquilo que não vejo, mas sinto, o que não compreendo direito, mas aceito...

A tudo e todos, o meu muito obrigado!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Criança x Cão

Faz certo tempo que não escrevo, mas não é por falta de idéias. Como já disse anteriormente eu tenho minhas idéias muito bem claras dentro de mim, mas o difícil é passá-las para o papel.


Acho que pode ser por que eu as “sinto” com muita facilidade, mas não consigo explicá-las da mesma forma.

Esta semana estava vendo fotos de uma amiga que foi para um país em desenvolvimento, então me deparei com uma foto em que ela estava perto de muitos cachorros de rua ou soltos aparentemente normais.

Eu lhe perguntei se os animais estavam saudáveis, mais por curiosidade, por querer saber a situação deles em um lugar que eu nunca vi de perto.

A resposta foi que os animais eram saudáveis, mas houve uma comparação com as crianças de lá...

Eu não entendo muito bem porque as pessoas tendem a querer comparar animais com crianças humanas no sentido de “necessidade” de ambos!

Pode ser porque estas mesmas pessoas achem que apenas humanos importam e desta forma deveríamos cuidar apenas de humanos necessitados.

Está idéia de que somos a espécie que mais importa e que podemos fazer com o planeta o que queremos, já está ultrapassada e fora de moda.

É tempo de compreender que pessoas importam tanto quanto, por exemplo, as florestas que existem, pois sem o equilíbrio que vem de todas as demais coisas da Terra não haveria vida aqui. E já que não somos nenhum tipo de deus, estaríamos a mercê da força da natureza, como todos os outros.

Acredito mesmo, de verdade, que aquele que percebe isto, que respeita a grandiosidade do todo, não fará mal ao ser humano. Garanto que se políticos acreditassem nisto não fariam de tudo para enriquecer deixando milhares de PESSOAS mais pobres e sem saúde. E degradando o meio ambiente sem nenhum pesar.

Outro tipo de gente que compara gente com cão até se importa com os dois, mas fica constrangido consigo mesmo por se importar com o animal, pois ele pensa que se simplesmente não se importar, uma criança de poucas condições sairá da rua como num passe de mágicas!

Nada e nem ninguém é mais importante do que aquilo que você nasceu para fazer! Tudo importa!

Tem gente que tem vocação pra ser professor.

Outros nasceram para abrir um salão de beleza, para cuidar da auto estima dos demais.

Outros são caixa de mercado, outros são médicos, são vendedores de roupa...

Todas as profissões que existem, existem porque há espaço para elas. E se há pessoas que se importam com animais, é porque eles precisam de atenção e ajuda.

Se nós seres humanos soubéssemos respeitar a nós mesmos, muitos dos problemas dos animais estariam resolvidos.

Para aqueles que sempre comparam crianças com animais eu poderia perguntar, se fosse pouco educada como eles quando fazem este tipo de comparação:

Primeiro um comentário: “ Provavelmente você não entende de animais e muito menos das necessidades de uma criança, pois não há nada igual em criar um cão e um humano, eles não precisam das mesmas coisas e não tem as mesmas necessidades no geral.”

“Continuando, eu falaria... “Eu creio que você acredita que faz a sua parte como cidadão, não é? Se você pergunta isto deve ser porque tem uma organização de bem estar de crianças de rua, ou gasta um dia por semana arrecadando alimentos e dinheiro para um orfanato, ou você não compra nada pirata, já que alimentaria os tráficos de drogas, armas e prostituição, inclusive de menores...

E imagino que você não usa nada de drogas, nem maconha, já que ela foi o motivo do derramamento de sangue de muitas pessoas até chegar na sua mao...

Além, creio que você não dá dinheiro pro guarda que te pegou acima da velocidade permitida, que você não faz mutreta na fiação ou paga a mais para o instalador colocar um ponto a mais da tv a cabo na sua casa...

E acredito que você não coma carne, uma vez que estamos fartos de saber que a produção de carne está destruindo o meio ambiente, que ela polui, que gasta recursos preciosos como água e que drena do mercado uma excelente parcela de grãos que poderiam alimentar pessoas famintas pelo mundo, inclusive as crianças que você insiste em comparar com animal...”

Eu poderia ficar horas falando do que eu acho que é ser um bom cidadão e apesar de eu achar que eu faço a minha parte, uma hora eu seria hipócrita, pois ninguém é perfeito.

A questão é que cada um deve fazer a sua parte no que acha que é seu caminho.

Pelo menos no Brasil, a realidade maior é que a gente faz a nossa parte!

....sempre dando um “jeitinho”...

Para aqueles comprometidos com os demais, que são sonhadores ingênuos como eu, ou seja que não dão jeitinho para tudo, digo que fazer a nossa parte já está sendo pouco.

Eu acho que faço a minha parte como cidadã, mas o além disto, acho que faço pouco... e nunca será o bastante, pois infelizmente por muitos anos ainda haverá gente, bicho, rios e matas precisando de socorro.

E a não ser que a maioria faça a sua parte na nossa pequena realidade cotidiana para depois se mobilizar por uma realidade melhor, pouco mudará.

Cães continuarão a ser seres inteligentes, amigos e um meio maravilhoso de convívio, mas estarão morando nas ruas, doentes e gerando mais cães...

Crianças puras, meigas e indefesas continuarão a ser abandonadas por mães que não as querem ou não tem condições de tê-las ou por outros n motivos, continuarão sendo exploradas no comercio da prostituição ou morarão nas ruas, gerarão mais filhos sem ter condições...



E a triste ironia da coisa é: gente e cão morando na rua do mesmo jeito.

Mas, comparar não é questão, a questão é fazer o mínimo de bem "sem olhar a quem"!

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Novos amigos

Estes dias estive pensando sobre ter animais em casa ou algo assim…e vai longe esta linha de pensamento....


Tudo começou quando estava limpando a casinha dos cães que fica dentro da garagem. Eu fui dar uma geral lá e enquanto limpava pensava no assunto.

As casinhas são as mesmas que foram usadas no transporte deles da Alemanha pra cá.

Quando li o adesivo ” Live Animals” me deu um frio na barriga, pois mudança é sempre trabalhosa.

Com dois animais, mais ainda.

Em outro pais: piorô!

E neste caso meus cães foram pegos de madrugada em Munique, levados pra Frankfurt para serem colocados num avião de carga rumo a Londres, Depois de serem passados pelo canil de controle em Londres, chegariam na minha casa por um agente próprio pra isto.

Longa e estressante jornada para eles e para nós também.

Para aqueles que acreditam que deveríamos tê-los deixados no Brasil, digo que onde puder levá-los comigo levarei. Sendo eles saudáveis para agüentar a viagem, estarão conosco até seus últimos dias.

Voltando a sensação de desconforto limpando a casinha deles..

Eu fiquei analisando como é que eles podem ser tão importantes na minha vida e na vida do Daniel sendo que eles são “apenas” cães.

Olha o que fizemos para tê-los conosco nesta vida fora do Brasil, desconhecida e cheia de desafios para um casal recém casado e na bagagem dois cães resgatados.

Ao mesmo tempo que os cães trouxeram mais desafios, eles trouxeram algo de essencial: felicidade.

Se eu mesma não fosse eu e estivesse lendo estas palavras talvez não cresse nelas, mas elas são verdadeiras.

Os animais estão no mundo, fazem parte dele e são cheios de “algo” que pode nos ajudar.

Eu estava conversando com meu marido sobre o não-interesse das pessoas em relação aos animais. Como eu já disse um milhão de vezes cada um gosta e se interessa pelo que quiser, mas os animais são uma fonte de conhecimento se estivermos dispostos a nos relacionar com eles e observa-los.

Vejo que as pessoas tem se interessado mais pelos animais de uma forma geral. Uma porque as mulheres estão cada dia mais ocupadas com as carreiras, vivendo em grandes cidades e etc..dai é mais fácil ter um cão que montar uma família e ter filhos.

Apesar disto eu vejo uma inserção gradual nos animais nas nossas casas.

Você já pensou (vou descrever a minha situação para facilitar): eu tenho dois cães que estão na minha família faz uns 5 anos.

5 anos sendo cuidados todos os dias, levados no veterinário, tomando banho, aprontando as deles, tendo dermatite, pegando pulga e carrapatos das caminhadas no mato...

Eles também estão presentes em todas as refeições deitados no canto da casa, no sofá vendo jogo de futebol ao nosso lado, nos recebendo quando acordamos ou quando voltamos pra casa, nas festinhas de aniversário ...



Eles se dedicam a nós e nós nos dedicamos a eles.

Eles são amigos, mas não esperem uma amizade igual a de ser humano pra humano, esta amizade é diferente.

Eles não falam a nossa língua, eles se expressam de forma própria, eles tem necessidades distintas das nossas, um ritmo de vida diferente..é tudo diferente.

E é justamente por isto, justamente por serem tão diferentes é que esta relação é cheia de aprendizado e descobertas.

Podemos ser mais inteligentes que eles e mais racionais. Mas eles são mais sensitivos e mais antenados. Fora tudo o mais que eles são, mas que a nossa razão não nos permite enxergar.

Por mais que eles sejam nossos amigos, eles dependem de nós, ao passo que amigos humanos não dependem uns dos outros.

Se eu não os alimentar pela manha eles irão me pedir comida do jeito deles, mas dependem de mim ainda assim. Se eu resolver nunca mais alimentá-los eles morrerão, ao menos que fujam de casa.

Eles dependem de mim para sobreviverem, mas eu não dependo deles de forma alguma.

Por outro lado, aqueles que se relacionaram de perto com animais, seja no seu sítio ou mesmo nos casos mais comuns como ter um cão ou gato em casa, já deve ter descoberto que há alguma coisa neles que nos encanta e fascina.

Creio que da verdade sabemos quase nada. Que animais são cheios de boas energias e que elas nos cercam quando em contato com eles.

Deve ser justamente a falta de razão que os faz serem mais “puros” energeticamente.

E apesar de não depender realmente deles, eles tornam a vida muito melhor. Talvez só pelo fato de acrescentarem tantos novos modos de relacionamento ao nosso dia a dia e por nos darem tantas coisas boas que não enxergamos e que estamos longe de saber.

É uma pena que na maioria das vezes amamos só um tipo deles...uns que amam cães, mas odeiam gatos.

Outros que amam gatos e acham que cães são dependentes (eu já vi gatos em muito mau estado, então jamais acharei que eles não dependem de nós).

Outro que amam a vida selvagem, como vi lá na Africa, mas que desprezam os domesticados.

Ou aqueles que são amantes de passarinhos, mas comem frango e peru.

E por ai vai...

Podemos aprender com todos os seres que estão ao nosso lado, eles são complexos como nós, diferem entre si na mesma espécie e claro, nas espécies diferentes.

Acredito que assim que permitamos ver os animais como seres interessantes e abramos uma ligação de harmonia entre nós e eles, iremos aprender coisas incríveis e viver melhor.

Como eu tenho aprendido: o amor está em todos os lugares e presente entre todos os seres.

E que família e amigos, já não são feitos só por humanos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Morte e Vida



A Morte é uma questão complicada para o ser humano e até onde temos percebidos, é também para alguns animais.


Pode ser que seja para todos os animais, nós apenas não sabemos sobre eles tão bem a ponto de decifrar isto.

Eu não consigo lembrar de uma pessoa que esteve bem preparada vendo a morte acontecer.

Desde pequenos nossos pais tentam de tudo para não nos chocar com a verdade sobre um tio-avô que faleceu, um amigo da família, um familiar muito próximo a nós.

Alguns são pegos de surpresa quando uma pessoa querida lhes é tirada de repente da vida.

Ai então não há escapatória, não há como mascarar a verdade....

E a verdade é que todos queremos viver!

A vida não nos oferece tudo que desejamos, pois a vida é assim! E é esta que tanto queremos preservar, mas que poderia ser tão melhor....

E ao mesmo tempo já é tudo que poderíamos querer .

A única certeza que temos, uma certeza absoluta é que um dia iremos morrer.

A gente sabe disto desde que saímos da infância e se eu perguntar para vocês quem está pronto para a morte, acho que ninguém falará que está ou que não se importa.

Estes dias eu e meu marido resgatamos uma pomba selvagem que estava na sarjeta da rua de casa. Ela estava completamente cega e não estava machucada. Não sei dizer se era uma pomba velha ou não.

Sei que a resgatamos numa noite fria e a colocamos no banheiro da nossa casa, do lado do aquecedor de parede.

Ela não comia direito, mas depois de tomar água ela já teve uma grande melhora nos movimentos.

Achamos que ela não encontrava mais alimento por ser cega e assim foi definhando.

Sei que fomos comprar comida especial de pássaros animados com a melhora dela.

Assim ela ficou por quase dois dias.

Na segunda noite aqui em casa, acordei de madrugada para alimentá-la e ela estava morta.

Passei a mao na cabeça dela e pensei que ela descansou, pois estava cega e fraca e merecia paz.

Voltei pro quarto e contei pro meu marido que ela havia morrido. Quando falei ”Daniel, a Palominha morreu” comecei a chorar, pois ouvi a palavra morte nas minhas palavras.

Chorei por que a vida de alguém tinha ido. E acho que temi como creio que tememos se pensarmos que um dia será a nossa vez.

No dia seguinte, depois de passar o resto da noite num sono ruim, acordamos cedo e fomos enterrá-la no jardim.

Outra vez, mais choro. É pesado pensar que um corpo está sob terra... acho que isto choca nossos corações.

Neste momento há alguém falecendo. E também há alguém nascendo!

Apesar da morte vir cercada de tristeza pra aqueles que ficam, creio que ela é cheia de esperança para aqueles que se vão.

Não aprendemos a dizer adeus, não aprendemos a lidar com a saudade dos que se foram... mas penso que a morte não é o fim, ela é apenas outra etapa.

Uma etapa que não conhecemos ou pelo menos não lembramos.

Que aqueles que perderam pessoas queridas tenham fé de que uma nova etapa na vida começa, para quem foi e para quem ficou.

Para os que foram: a leveza do ser, a luz do espírito e a capacidade infinita.

Que estejam alegres e libertos na companhia de “minha” pomba Palominha, voando livres por ai!

 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gata na lata de lixo



Hoje pela manha, como é de costume já que moramos tão longe dos familiares e amigos, acordei e liguei o meu computador.

Sempre vemos nossos emails para saber se temos notícias do pessoal e por vezes olho a página de notícias do UOL, só por cima mesmo. Raras vezes tem algo que presta e que não seja tragédia.

Bati o olho em uma chamada que dizia isto: “Mulher que jogou gata em lixeira diz que "foi só uma brincadeira".”

Fui ler a reportagem, até porque eu já havia visto algo assim sendo publicado pela organização RSPCA no Facebook ontem.

Para resumir, a britânica Mary Bale estava indo do trabalho para a casa e viu um gato caminhando por perto. Diz ela que o chamou, brincou com o gato, que ele era dócil, que ronronava e ela resolveu colocar ele numa lata de lixo que estava ali perto. E realmente o fez: colocou a gata de menos de um ano de idade dentro da lata de plástico.

A gata foi resgatada depois de 15 horas presa na lata.

O RSPCA com certeza fará alguma coisa para que ela seja julgada e condenada por este crime, o que acontece aqui na Inglaterra frequentemente.

Geralmente as punições não são grande coisa, mas a pessoa é proibida de ter animais durante alguns anos, paga certas taxas e presta serviços comunitários.

Estes dias eu li um caso do RSPCA em que eles foram chamados por causa de um cavalo que estava sendo mal tratado e vivia num jardim de uma casa aqui nas redondezas.

O cavalo foi resgatado, os donos foram julgados e condenados e o filho deles também foi condenado.

O interessante, mas não menos triste é que eles confessaram que tentaram matar um hamster afogado na pia, não obtiveram sucesso no afogamento e então, se não me engano eles colocaram ele dentro de uma garrafa com água.

Então, o RSPCA fez autópsia no pequeno animal e constatou que ele teve morte traumática, que lutou pela vida, pois tinha resquícios de material embaixo das unhas e por ai vai...

Você pode se perguntar ou me perguntar: Mas pra que tudo isto? Ou pra que tanta importância pra uma mulher que joga um gato dentro de uma lixeira? Tem tanta coisa pior por ai, não tem?

O que eu posso te responder é que eu acho o máximo ter autopsia de animal de estimação em casos suspeitos de maus tratos. Mas, mais que isto, eu fico feliz de verdade em ver que alguma coisa funciona.

O RSPCA se propõe a cuidar dos animais, a trabalhar com o governo e com a polícia para o bem estar animal atingir níveis cada vez mais altos e eles fazem isto!

Eles pedem ajuda da população pra descobrir quem quebrou os ovos dos cines que moram em tal lago ou, pior que isto, em quem ateou fogo no cachorro que estava preso numa grade pela coleira.

Esta organização se preocupa com estes temas e faz de tudo para cumprir com o que acha que é certo fazer.

Então, se você se preocupa com o quer que seja, siga este exemplo! =)

Sobre a mulher que jogou a gatinha no lixo, posso dizer que estas horas me espanto com a realidade, pois cada ser humano tem a liberdade para fazer o que quiser.

Se fizer algo que vá atingir de forma negativa o direito do outro, poderá ser punido, mas até aí a coisa já foi feita e já deixou cicatrizes.

O ser humano pode gerar outro ser humano que dependerá totalmente dele por alguns bons anos! E quem me garante que este ser humano pai ou mãe fará bem o seu papel?

O estranho é que muitos seres, incluindo nós mesmos, ou melhor, digo que quase todos os seres que vivem perto de nós humanos, dependem da nossa própria sanidade!

Um bebê recém nascido.

Um cachorro.

Um gato.

Um idoso que já não se movimenta bem.

Inúmeros são os casos nos quais outros seres dependem da nossa capacidade de se por no lugar deles.

Por-se no lugar de um gato que vai ficar preso dentro de uma lixeira e pode nunca ser achado, morrer asfixiado ou esmagado no caminhão do lixo, se não fosse uma câmera escondida.

Um passarinho que ficará a vida preso numa gaiola, que nunca poderá abrir bem as asas e voar.

De um idoso que vai levar umas porradas por irritar o enfermeiro já que ele não ouviu bem o que precisava ser feito.

Ou o bebe que vai ser jogado no rio por ter nascido numa hora que não deveria.

É duro pensar que dependemos tanto da compaixão alheia, já que somos cercados de outros seres que podem modificar a nossa vida numa simples vontade.

Eu nunca gostaria de ser posta numa lata de lixo.

Eu nunca gostaria de viver numa jaula, preferiria a morte a não ter liberdade.

Eu nunca gostaria que me batessem para descontar problemas pessoais ou o que for.

Eu não gostaria de não ter tido uma infância descente, regada a respeito e amor, sendo que nem pedi para nascer.

Muito menos ser largada neném para morrer aos poucos ou para ser encontrada por outra pessoa, da qual também dependerei da compaixão.

Sejá lá onde for, seja lá que ato for, seja lá quem fez....todo ato de maldade deve ser reprimido, nao incetivado e punidos os culpados.

Quem tem a pouca sanidade para colocar uma gata numa lata de lixo e lá deixá-la, também deve ter pouca sanidade para viver em hamornia numa sociedade.

Violencia contra animais, precede violência contra humanos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"Ser" humano


Ultimamente eu ando pensando sobre "ser“ humano.

O que significa SER um ser humano?

O ser humano é uma coisa complexa:

Somos muito inteligentes, criativos, bondosos…

Somos muito egoístas, maldosos, tapados…

Na faculdade, ou bem antes dela, eu aprendi que existe uma coisa na Natureza chamada Cadeia Alimentar, na qual uma espécie depende de outra para sobreviver, onde o fluxo do número de indivíduos de um nível influi no nível superior, que influenciará o próximo e por ai vai.

Um ciclo lindo de se ver. Cada ação gera um reflexo facilmente perceptível e uma má ação pode acabar com uma espécie.

A Natureza é sábia, tudo nela corre exatamente como deve correr e não sobra!

Não sei se posso colocar o ser humano neste meio mais, não do modo como vivemos e do jeito que evoluímos. Por que “ser” humano é viver praticamente num mundo criado por humanos, num ambiente “naturalmente” humano.

O ser humano pertence a este mundo, tem direitos sobre ele, como todos os outros animais, mas há muito já deixou sua vaga na cadeia alimentar.

Olhe pra fora de nossas cidades, que lugar há para nós além delas?

Mas, como que eu posso achar bela uma cadeia alimentar sendo que há mortes nela, sendo que mães antílopes perdem seus bebês brutalmente ou na qual búfalos pisoteiam bebês leões?

Esta é a Natureza “natural” e por mais que eu não goste disto, pois não desejo ver ninguém morrer pra virar comida ou por vingança, é isto que há neste mundo. A única forma de mudar isto, seria mudar de planeta ou voltar a nascer neste mundo milhões de anos pra frente – quem sabe as coisas estariam melhores para todos! =)

Ou ter uma séria conversa com Deus.

A vida lá na selva, na savana, na caatinga é o que é e não há nada que possamos fazer para mudar isto!

Há dois tipos de seres humanos basicamente.

Eu escolheria, se pudesse, o “bom” ser humano, aquele que é capaz de criar tecnologias incríveis, de fazer a Ciência existir e de habitar este mundo de forma a estar aqui, ser grato pela posição que tem, mas que deixa a Natureza para quem sabe viver nela.

Por outro lado, há aqueles que não sentem pelo outro e são tão seres humanos quanto eu - não importa de que berço vieram, eles são capazes de matar outros humanos, de corromper e serem corrompidos, de dar propina, se apoderam da natureza e do que há nela - sem um pingo de amor no coração, matam árvores e animais e abertamente dizem que não sentem por eles ou por nós.

Tudo isto, estes dois seres que existem por ai, somos nós: seres humanos. Capazes de fazer o céu e o inferno ao mesmo tempo.

O planeta já está sentenciado com a nossa presença aqui, pois vida de humano na Terra significa usar recursos, poluir e matar.

Não importa quão “verde” eu viva, meus passos deixam marcas na Natureza.

Mas importa a minha intenção.

Quanto mais nos aproximarmos da nossa capacidade nata de sermos bons seres, de sermos humanos...

.... mais usaremos toda a nossa capacidade de criar sem destruir.

.... de viver e não marcar.

.... de comer e não matar.

Vamos deixar a cadeia alimentar, equilibrada, frágil, linda e triste para aqueles que não podem sair dela!

Nós podemos e já saímos há tempos.

Se ser humano é ser digno de inteligências e capacidades, então que sejamos humanos.

Para aqueles humanos que não sentem pelos demais, que fazem atrocidades, estes pertencem a cadeia alimentar. Deveriam ser postos lá na natureza outra vez, com a roupa do corpo e uma lança na mão.

A natureza cuidaria deles...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Libertação Animal - Prefácio à edição de 1975

Trata-se apenas do prefácio do livro, mas já vale a pena lê-lo. Peter Singer explica de uma forma imbatível o que eu adoraria conseguir explicar.



Este livro fala da tirania dos animais humanos sobre os não-humanos. Esta tirania provocou e provoca ainda hoje dor e sofrimento só comparáveis àqueles resultantes de séculos de tirania dos humanos brancos sobre os humanos negros. A luta contra esta tirania é uma luta tão importante quanto qualquer outra das causas morais e sociais que foram defendidas em anos recentes.

A maior parte dos leitores considerará que aquilo que acabou de ler é um exagero completo. Há cinco anos, também eu teria feito graça das afirmações que agora escrevo seriamente. Há cinco anos, eu não sabia o que sei hoje. Se você ler este livro atentamente, prestando especial atenção aos capítulos 2 e 3, saberá tanto quanto eu acerca da opressão dos animais, e que é possível incluir num livro de tamanho razoável.

Depois, poderá julgar o parágrafo inicial: será exagero ou a constatação sóbria de uma situação praticamente desconhecida do grande público? Tudo o que peço é que suspenda o seu julgamento até ter lido o livro.

Pouco tempo após ter começado a trabalhar neste livro, a minha mulher e eu fomos convidados para tomar chá - vivíamos então na Inglaterra - por uma senhora que sabia que eu tencionava escrever sobre animais. Ela própria se interessava bastante sobre o tema, disse, e tinha uma amiga que já tinha escrito um livro sobre animais e gostaria muito de nos conhecer.

Quando chegamos, a amiga da nossa anfitriã já lá se encontrava e, realmente, mostrou muita vontade de falar sobre animais. "Adoro animais," começou ela. "Tenho um cão e dois gatos, e, sabem, dão-se todos extremamente bem. Conhecem a Sra. Scott? Ela dirige um hospital para animais de estimação doentes..." e por aí afora. Fez uma pausa enquanto se servia do chá, pegou um sanduíche de presunto, e perguntou-nos que animais de estimação tínhamos.

Dissemos-lhe que não tínhamos animais de estimação. Pareceu um pouco surpreendida,e mordiscou o sanduíche. A nossa anfitriã, que tinha acabado de servir os sanduíches, juntou-se a nós e retomou a conversa: "Mas é verdade que se interessa por animais, não é, Sr. Singer?"

Tentamos explicar que nos interessava evitar o sofrimento e os maus tratos; que nos opúnhamos à discriminação arbitrária; que considerávamos errado infligir sofrimento desnecessário a outro ser, mesmo não sendo esse ser membro da nossa espécie; e que acreditávamos que os animais eram explorados de forma impiedosa e cruel pelos humanos, e queríamos que tudo isto fosse alterado. Para além disto, os animais não nos "interessavam" especialmente. Nenhum de nós tinha gostado excessivamente de cães, gatos ou cavalos, ao contrário de algumas pessoas. Não "adorávamos" animais.

Queríamos simplesmente que eles fossem tratados como os seres independentes e sencientes que são, e não como um meio para os fins humanos - como tinha sido tratado o porco cuja carne estava agora nos sanduíches servidos pela nossa anfitriã.

Este livro não é sobre animais de estimação. Não é provável que constitua uma leitura confortável para aqueles que consideram que o amor pelos animais só se exprime fazendo uma festa ao gato ou dando comida aos pássaros do jardim. Destina-se, ao contrário, às pessoas que se preocupam com o fim da opressão e da exploração, onde quer que estas se encontrem, e pretendem que o princípio moral básico da igual consideração de interesses não se restrinja arbitrariamente à nossa própria espécie. A presunção de que é necessário ser "amante dos animais" para se interessar por estes assuntos constitui, em si mesma, uma indicação da ausência da menor idéia de que os padrões morais que aplicamos aos seres humanos deveriam abranger os outros animais.

Ninguém, exceto um racista que pretenda insultar os seus adversários chamando-lhes "amantes dos pretos", sugeriria que se tem que adorar as minorias raciais - ou considerá-las engraçadas e fofinhas - para mostrar preocupação pela forma como são maltratadas. Sendo assim, por que presumir isto relativamente às pessoas que trabalham para a melhoria das condições dos animais?

O retrato daqueles que protestam contra a crueldade para com os animais como "amantes dos animais", sentimentais e emotivos, teve como consequência a exclusão de toda essa questão do nosso tratamento dos não-humanos do debate político e moral sério. É fácil ver porque fazemos isto. Se considerarmos seriamente a questão, se, por exemplo, virmos de perto as condições em que os animais vivem nas explorações pecuárias modernas que produzem a carne que consumimos, podemos sentir-nos pouco à vontade em relação a sanduíches de presunto, à carne assada, à galinha frita e a todos os ingredientes da nossa dieta que preferimos não considerar como animais mortos.

Este livro não faz apelos sentimentais à simpatia por animais "fofinhos". Não me choca mais a morte de cavalos ou cães com fins alimentares do que a morte de porcos para o mesmo fim. Quando o Ministério da Defesa dos Estados Unidos descobriu que a utilização de beagles nos testes de gases letais provocara uma onda de protestos e resolveu usar ratos, não me considerei satisfeito. Este livro constitui uma tentativa de pensar atenta e coerentemente a questão de como devemos tratar os animais não-humanos. No processo do raciocínio, expõe os preconceitos que subjazem às nossas atitudes e comportamentos atuais. Nos capítulos que descrevem o que essas atitudes significam em termos práticos - como os animais sofrem devido à tirania dos seres humanos -, existem fatos que despertarão alguns sentimentos. Estes, espero, serão sentimentos de raiva e indignação, que surgirão juntamente com a vontade de fazer algo quanto às práticas descritas. No entanto, em lugar nenhum deste livro eu faço apelo a sentimentos do leitor que não se possam basear na razão. Havendo coisas desagradáveis, seria desonesto tentar descrevê-las de uma forma neutra que ocultasse a sua verdadeira "desagradabilidade".

Não é possível escrever objetivamente sobre as experiências conduzidas pelos "médicos" dos campos de concentração nazistas naquelas que eram consideradas criaturas "sub-humanas" sem despertar sentimentos; o mesmo se aplica à descrição de algumas das experiências levadas a cabo hoje em dia em seres não-humanos em laboratórios dos Estados Unidos da América, da Grã-Bretanha e de outros países. No entanto, a justificação essencial para a oposição a ambos os tipos de experiências não é emocional.

É um apelo a princípios morais básicos que todos aceitamos, e é a razão - e não o sentimento - que exige a aplicação destes princípios às vítimas de ambos os tipos de experiências.

O título deste livro tem implícita uma idéia séria. É necessário um movimento de libertação que dê fim aos preconceitos e à discriminação baseados em características arbitrárias como a raça ou o gênero. O exemplo clássico é o movimento de Libertação dos Negros. A imediata atratividade deste movimento e o seu sucesso inicial, embora limitado, tornou-o num modelo para os outros grupos oprimidos. Depressa nos familiarizamos com o movimento de Libertação dos Homossexuais e de movimentos em prol dos índios americanos ou dos americanos falantes de castelhano. Quando um grupo maioritário - as mulheres - iniciou a sua campanha, alguns pensaram que se tinha atingido o fim. A discriminação baseada no gênero, disse-se, era a última forma de discriminação a ser universalmente aceita e praticada aberta e assumidamente, mesmo naqueles círculos liberais que há muito se orgulhavam da sua ausência de preconceitos relativamente às minorias raciais.

Devemos sempre acautelar-nos ao falar da "última forma de discriminação subsistente". Se aprendemos alguma coisa com os movimentos de libertação, deve ter sido precisamente a dificuldade de reconhecimento de preconceitos latentes nas nossas atitudes relativamente a grupos específicos, até esses preconceitos nos serem apontados ostensivamente.

Um movimento de libertação exige o alargamento dos nossos horizontes. As práticas que anteriormente eram consideradas naturais e inevitáveis passam a ser vistas como resultado de um preconceito injustificável. Quem pode afirmar com alguma confiança que nenhuma das suas atitudes e práticas pode ser posta legitimamente em causa? Se desejamos evitar ser contados entre os opressores, devemos estar dispostos a repensar as nossas atitudes face aos outros grupos, incluindo as mais básicas. Devemos considerar as nossas atitudes do ponto de vista daqueles que sofrem devido a elas e devido às práticas que lhes estão associadas.

Se conseguirmos proceder a esta invulgar mudança de perspectiva mental, talvez consigamos descobrir um padrão nas nossas atitudes e práticas cujo objetivo é o favorecimento constante do mesmo grupo - geralmente o grupo ao qual nós mesmos pertencemos - à custa de outro grupo. Chegamos assim à conclusão de que há argumentos a favor do aparecimento de um novo movimento de libertação.

O objetivo deste livro é levar o leitor a proceder a esta mudança de perspectiva mental nas suas atitudes e práticas relativas a um grupo muito vasto de seres: os membros das espécies que não a nossa. Acredito que as nossas atitudes atuais para com estes seres se baseiam numa longa história de preconceitos e discriminação arbitrária. Defendo que não pode haver qualquer razão - com exceção do desejo egoísta de preservar os privilégios do grupo explorador - para a recusa de inclusão de membros de outras espécies no princípio básico da igualdade. Peço ao leitor que reconheça que as suas atitudes relativas a membros de outras espécies constituem uma forma de preconceito não menos condenável do que o preconceito aplicado ao gênero ou raça de uma pessoa.

Em comparação com outros movimentos de libertação, o movimento de Libertação Animal apresenta várias dificuldades. A primeira, e mais óbvia, é o fato de os membros do grupo explorado não poderem, por eles mesmos, protestar de forma organizada contra o tratamento que recebem (embora possam protestar, e o façam o melhor que podem, individualmente). Temos de ser nós a falar em nome daqueles que não podem fazer isso por si próprios. É possível constatar a gravidade dessa dificuldade se perguntarmos a nós próprios quanto tempo teriam de ter esperado os negros pela igualdade de direitos se não tivessem sido capazes de falar por si mesmos e de exigir tal igualdade. Quanto menos um grupo for capaz de se tornar visível e de se organizar contra a opressão, mais facilmente será oprimido.

Ainda mais significativo para o futuro do movimento de Libertação Animal é o fato de quase todos os elementos do grupo opressor estarem diretamente relacionados com a opressão, considerando-se beneficiários desta. Efetivamente, existem poucos humanos capazes de considerar a opressão dos animais com o afastamento que tiveram, por exemplo, os brancos do Norte ao debaterem a instituição da escravatura nos estados do Sul da União. As pessoas que comem diariamente pedaços de seres não-humanos abatidos consideram difícil crer que estão a agir incorretamente; e também consideram difícil imaginar que outra coisa poderiam comer. Nesta questão, todos os que comem carne são parte interessada. Beneficiam-se - ou, pelo menos, julgam se beneficiar - da desconsideração atual dos interesses dos animais não-humanos. Isto torna a persuasão mais difícil. Quantos proprietários de escravos do Sul se convenceram com os argumentos avançados pelos abolicionistas do Norte, atualmente aceitos por quase todos nós? Alguns, mas não muitos. Posso pedir, e peço mesmo, que ponham de lado o seu interesse no consumo de carne ao considerarem os argumentos contidos neste livro, mas sei, de experiência própria, que mesmo com a melhor vontade do mundo isto não é fácil de se conseguir: subjacentes ao desejo momentâneo de comer carne numa ocasião particular, estão muitos anos de consumo habitual de carne que condicionaram a nossa atitude para com os animais.

Hábito. Esta é a barreira final que o movimento de Libertação Animal enfrenta. Hábitos não só dietéticos, mas também de pensamento e linguagem, que têm de ser postos em causa e alterados. Os hábitos de pensamento levam-nos a rejeitar as descrições de crueldade para com os animais, considerando-as emotivas e destinadas apenas a "amantes dos animais"; ou, se não isso, fazem-nos crer que, de qualquer forma, o problema é tão trivial em comparação com os problemas enfrentados pelos seres humanos que nenhuma pessoa sensata gastaria com ele tempo e atenção. Também isto é um preconceito - pois como se pode saber que um problema é trivial até se ter despendido algum tempo a analisar a sua dimensão? Embora, por forma a permitir um tratamento mais completo, este livro trate de apenas duas das muitas áreas em que os humanos provocam sofrimento aos outros animais, não creio que qualquer pessoa que o leia até ao fim fique a pensar que os únicos problemas que merecem tempo e energia são os problemas que dizem respeito aos humanos.

Os hábitos de pensamento que nos levam a desconsiderar os interesses dos animais podem ser postos em causa, tal como se faz nas páginas seguintes. Este desafio tem de ser expresso numa língua que, neste caso, é o português. A língua portuguesa, como outras línguas, reflete os preconceitos dos seus utilizadores. Assim, para os autores que desejam pôr em causa estes preconceitos, aparece uma dificuldade bem conhecida: ou utilizam a sua língua, que reforça os próprios preconceitos que desejam questionar, ou não conseguem se comunicar com o público. Este livro constitui já, por força das circunstâncias, uma concessão à primeira destas vias. Utilizamos comumente o termo "animal" para designar os "animais que não os seres humanos" Esta utilização destaca os humanos dos outros animais, implicando que nós próprios não somos animais - uma implicação que qualquer pessoa que tenha recebido lições elementares de biologia reconhecerá como falsa.

Na mente popular, o termo "animal" reúne seres tão diferentes como ostras e
chimpanzés, colocando um fosso entre chimpanzés e humanos, embora a nossa relação com esses símios seja muito mais próxima do que a deles com as ostras. Uma vez que não existe uma outra designação breve para os animais não-humanos, tive de usar, no título e noutras instâncias do livro, a palavra "animal" como se ela não incluísse o animal humano. Esta é uma falha lamentável em termos de pureza revolucionária, mas parece ser necessária para conseguir uma comunicação eficaz. No entanto, e para recordar que isto é apenas uma questão de conveniência, utilizarei ocasionalmente modos mais extensos e precisos de me referir àquela que foi em tempos chamada "criação bruta".

Noutros casos, tentei também evitar a utilização de uma linguagem que tenda a degradar os animais ou a disfarçar a natureza da comida que ingerimos.

Os princípios básicos da Libertação Animal são muito simples. Tentei escrever um livro claro e fácil de entender, que não requeresse conhecimentos particulares de qualquer tipo. No entanto, é necessário começar com uma análise dos princípios que formam a base daquilo que tenho a dizer. Apesar de não haver nesta obra nada que seja de compreensão difícil, os leitores não familiarizados com este tipo de análise poderão considerar o primeiro capítulo muito abstrato. Não se assustem. Nos capítulos seguintes passamos aos pormenores pouco conhecidos acerca da forma como a nossa espécie oprime as outras que se encontram sob o seu domínio. Não há nada de abstrato nesta opressão nem nos capítulos que a descrevem.

Se as recomendações sugeridas nos capítulos seguintes fossem aceitas, pouparia-se uma dor imensa a milhões de animais. Mais ainda, milhões de humanos tirariam igualmente proveito dessa mudança. Enquanto escrevo, há pessoas que morrem de fome em muitos locais do mundo, e muitas mais encontram-se em perigo iminente de morte por subnutrição. O govemo dos Estados Unidos da América afirmou que, devido a colheitas escassas e a existências reduzidas de cereais, apenas podia fornecer um auxílio limitado - e inadequado; mas, como se torna claro no capítulo 4 deste livro, a acentuada ênfase na criação de gado por parte das nações ricas leva ao desperdício de várias vezes a comida produzida. Se cessarmos de criar e matar animais para consumo, poderemos disponibilizar tanta comida para os humanos que esta, distribuída de forma correta, erradicaria a fome e a subnutrição do nosso planeta. A Libertação Animal é também a Libertação Humana.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Livro Libertação Animal

Para aqueles que leram o último post, aqui vai o prefácio do livro do filósofo Peter Singer.




PREFÁCIO À EDIÇÃO DE 1990


Reler o prefácio original deste livro é como retornar a um mundo semi-esquecido. Pessoas preocupadas com animais não me oferecem mais sanduíches de presunto. Nos grupos do movimento de Libertação Animal, os ativistas são, agora, todos vegetarianos; mas, mesmo no movimento mais conservador em defesa do bem-estar dos animais há alguma consciência da questão do consumo de carne. Os que ainda a consomem apresentam suas desculpas e, quando preparam refeições para outros, estão sempre prontos a oferecer alternativas. Há uma nova consciência sobre a necessidade de se estender a simpatia por cães e gatos a porcos, galinhas e até a ratos de laboratório.



Não tenho certeza do quanto desta mudança se deva creditar ao livro Libertação Animal. Jornalistas de revistas populares apelidaram-no de "bíblia do movimento de libertação animal". Não posso deixar de sentir-me lisonjeado, mas, ao mesmo tempo, estou um pouco constrangido. Não acredito em bíblias: nenhum livro detém o monopólio da verdade. Em todo o caso, a menos que toque o leitor, nenhum livro pode chegar a lugar algum. Os movimentos de libertação dos anos 60 tornaram a Libertação Animal um passo óbvio: esse livro reuniu os argumentos e deu-lhes uma forma coerente. O resto foi feito por algumas pessoas excelentes, eticamente empenhadas, trabalhadoras infatigáveis — inicialmente alguns indivíduos, depois centenas, que se tornaram, gradualmente, milhares e agora, talvez, milhões — constituindo o movimento de Libertação Animal. Dedico-lhes essa edição revisada, porque, sem elas, a primeira edição teria o mesmo destino do livro Animals´ Rights [Direitos dos Animais] de Henry Salt, publicado em 1892, e deixado nas prateleiras da biblioteca do Museu Britânico, acumulando poeira até que, oitenta anos depois, uma nova geração reformulasse argumentos, topasse com algumas referências obscuras e descobrisse que tudo já havia sido dito, mas sem resultado.

Desta vez não será em vão. O movimento cresceu e tornou-se muito grande para isso. Importantes benefícios já foram alcançados em prol dos animais. Outros ainda maiores estão por vir. A Libertação Animal é, agora, um amplo movimento mundial, e ainda estará na ordem do dia por muito tempo.

Freqüentemente me perguntam se estou satisfeito com a maneira como o movimento cresceu. O modo como fazem a pergunta deixa claro que esperam ouvir: "Jamais sonhei que o livro tivesse tão grande impacto". Mas estão enganados. Pelo menos nos meus sonhos, todos os que lessem o livro exclamariam "Sim, é claro...". Imediatamente se tornariam vegetarianos e começariam a protestar contra o que fazemos com os animais. Assim, mais pessoas ouviriam a mensagem de Libertação Animal e, pelo menos as formas mais extremas e desnecessárias de sofrimento animal logo terminariam, em conseqüência de uma irresistível onda de protesto público.

É verdade, esses sonhos eram contrabalançados pela consciência que tenho dos obstáculos: o conservadorismo da maioria de nós quando se trata daquilo que colocamos no estômago; os interesses financeiros que lutam até o último milhão para defender seu direito de explorar animais visando ao máximo lucro; e o sólido peso da história e da tradição, que reforçam as atitudes que justificam essa exploração. Portanto, fiquei feliz em receber cartas de muita, muita gente que leu o livro e exclamou: "Sim, é claro...", e parou de comer carne, tornando-se um membro ativo do movimento de Libertação Animal. Fiquei ainda mais feliz, naturalmente, pois, após tantos terem lutado tão longa e arduamente, o movimento de Libertação Animal é uma realidade política e social. Contudo, ainda assim, não é bastante; nem sequer está perto de ser suficiente. Como mostra claramente essa edição, o movimento teve, até agora, pouco impacto sobre as principais formas de exploração dos animais.

Libertação Animal foi publicado pela primeira vez em 1975 e continua a ser impresso, praticamente sem alterações, desde então. Três aspectos estão agora maduros para revisão. Primeiro, quando o livro surgiu, não havia o movimento de Libertação Animal. O próprio termo era desconhecido e não havia grandes organizações — apenas algumas pequenas — trabalhando para implementar mudanças radicais em nossas atitudes e práticas relacionadas aos animais. Quinze anos mais tarde, seria decididamente estranho que um livro intitulado Libertação Animal não se referisse à existência de um movimento moderno de Libertação Animal e, por conseguinte, não comentasse o curso que o movimento tomou.

Segundo, o surgimento do movimento moderno de Libertação Animal tem sido acompanhado por um impressionante aumento da quantidade de material escrito sobre o tema — a maior parte comentando as posições assumidas na primeira edição desse livro. Também passei longas noites discutindo questões filosóficas e conclusões práticas com amigos e companheiros do movimento de Libertação Animal. Algumas respostas a todo esse debate pareceram-me necessárias, nem que seja para indicar em que medida alterei ou não meus pontos de vista.

Finalmente, o segundo e o terceiro capítulos desse livro descrevem o que significam nossas atitudes atuais em relação aos animais em dois dos campos principais em que são utilizados: a experimentação e a criação. Tão logo comecei a ouvir pessoas dizendo coisas como "Certamente, as coisas melhoraram muito desde que isso foi escrito...", soube que seria necessário documentar o que acontece hoje em dia nos laboratórios e nas granjas, apresentando ao leitor descrições que não podem ser descartadas com o argumento de serem pertencentes a uma era distante e obscura.

As novas descrições constituem a maior parte das diferenças entre a presente edição e as anteriores. Resisti, no entanto, às sugestões de que deveria acrescentar relatos semelhantes de outros tipos de abusos contra os animais. O objetivo do material factual não é servir de relatório exaustivo do modo como tratamos os animais; ao invés, pretende mostrar de maneira clara, nítida e concreta, como indiquei no final do primeiro capítulo, as implicações da concepção filosófica mais abstrata do especismo apresentadas nesse capítulo. A omissão das discussões sobre caça, captura em armadilhas, indústria de peles, maus tratos a animais de estimação, rodeios, zoológicos e circos não significa que tais assuntos sejam menos importantes, mas tão-somente que os exemplos cruciais da experimentação e da produção de alimentos são suficientes para os objetivos pretendidos.

Decidi não responder a todos os pontos levantados pelos filósofos sobre os argumentos éticos desse livro. Isto alteraria a natureza do próprio livro, transformando-o em um trabalho acadêmico, interessante para meus colegas de profissão, porém enfadonho para o leitor comum. Em vez disso, indiquei, em locais apropriados no texto, alguns outros escritos, onde minhas respostas a certas objeções podem ser encontradas. Também reescrevi uma passagem no capítulo final, em que mudei de idéia sobre um ponto filosófico cuja relação com a fundamentação ética sobre a qual assenta a argumentação desse livro é apenas periférica. Quanto a essa fundamentação, ministrei aulas sobre ela, mencionei-a em palestras e seminários em departamentos de filosofia, e discuti-a em profundidade, tanto verbalmente quanto por escrito; entretanto, nunca me defrontei com objeções insuperáveis, nada me fez pensar que os simples argumentos éticos que embasam esse livro não são sólidos. Tem sido estimulante constatar que muitos de meus colegas mais respeitados do campo da filosofia concordam comigo. Deste modo, tais argumentos são mantidos aqui, inalterados.

Ainda falta tratar do primeiro dos três aspectos a serem atualizados: a descrição do movimento de Libertação Animal e do curso que tomou.

Tanto nos relatos sobre experiências em laboratório quanto sobre criação industrial, e no capítulo final dessa edição revisada refiro-me a algumas das principais campanhas e conquistas do movimento de Libertação Animal. Não tentei descrever as campanhas em detalhes, porque alguns dos principais ativistas o fizeram em um livro intitulado In Defense of Animals [Em Defesa dos Animais], que editei há algum tempo. Mas uma questão importante para o movimento deve ser ressaltada nesse livro: a violência. Eu a abordo a seguir.

Os ativistas têm recorrido a uma série de meios para fazer avançar os objetivos da Libertação Animal. Alguns procuram educar o público distribuindo panfletos e escrevendo cartas a jornais. Outros fazem pressão em funcionários do governo e seus representantes eleitos para o Parlamento ou o Congresso. Organizações de ativistas fazem demonstrações e protestos do lado de fora de locais onde se inflige sofrimento a animais para servir a objetivos humanos triviais. Porém, muitos se impacientam com o lento progresso conseguido por tais meios e desejam implementar ações mais diretas para deter de imediato o sofrimento.

Ninguém que compreenda o sofrimento suportado pelos animais pode criticar essa impaciência. Em face da contínua atrocidade, não basta sentar-se e escrever cartas. Há necessidade de ajudar os animais já. Mas, como? Os legítimos canais usuais para protesto político são lentos e incertos. Devem-se arrombar as portas e libertar os animais? Isso é ilegal, no entanto, a obrigação de obedecer à lei não é absoluta. Ela foi justificadamente quebrada por aqueles que ajudaram escravos fugitivos na América do Sul, para mencionar apenas um paralelo possível. Problema mais grave é que a literal libertação de animais de laboratórios e granjas industriais pode ser tão-somente um gesto simbólico, pois os pesquisadores simplesmente encomendarão novas levas de animais e, além disso, quem pode encontrar abrigo para mil porcos ou 100 mil frangos de uma granja industrial? Os reides de grupos da Animal Liberation Front [Frente de Libertação Animal] de vários países têm sido mais eficazes quando conseguem provas da violência praticada contra animais que, de outra forma, não seriam conhecidas. No caso do ataque de surpresa ao laboratório do Dr. Thomas Gennarelli, da Universidade da Pensilvânia, por exemplo, videoteipes roubados forneceram a prova que, finalmente, convenceu até mesmo o secretário de saúde de que as experiências deviam ser interrompidas. É difícil imaginar que esse resultado pudesse ser alcançado de outra forma, e só posso elogiar as pessoas corajosas, diligentes e sérias que planejaram e executaram essa ação específica.

Mas outras atividades ilegais são muito diferentes. Em 1982, um grupo autodenominado "Animal Rights Militia" [Milícia dos Direitos dos Animais] enviou uma carta-bomba para Margareth Thatcher; em 1988, Fran Trutt, uma ativista dos direitos dos animais foi presa no momento em que colocava uma bomba do lado de fora dos escritórios da U.S. Surgical Corporation, uma empresa que usava cães vivos para demonstrar seus instrumentos cirúrgicos de grampear. Nenhuma dessas ações foi, de forma alguma, representativa do movimento de Libertação Animal. Antes,jamais se tinha ouvido falar do Animal Rights Militia, e a ação foi imediatamente condenada por todas as organizações do movimento de Libertação Animal britânico. Trutt trabalhava isoladamente e suas ações foram logo denunciadas pelo movimento americano. As provas apresentadas também sugeriam a existência de uma armadilha, pois ela foi levada para o escritório da empresa por um informante pago, contratado pelo consultor de segurança da U.S. Surgical. Porém, essas ações podem ser vistas como um dos extremos do espectro de ameaças e hostilidades aos experimentadores, peleteiros e outros exploradores de animais. Portanto, é importante que os participantes do movimento de Libertação Animal deixem claro sua posição em relação a essas ações.

Seria um erro trágico se mesmo um pequeno segmento do movimento de Libertação Animal tentasse alcançar seus objetivos ferindo pessoas. Alguns acreditam que pessoas que fazem os animais sofrer merecem que também se os façam sofrer. Não acredito em vingança; mas mesmo que acreditasse, seria um desvio prejudicial à nossa tarefa de cessar o sofrimento. Para tanto, precisamos mudar a mentalidade das pessoas sensatas de nossa sociedade. Podemos estar convictos de que uma pessoa que maltrata animais é completamente insensível, mas nos rebaixaríamos até seu nível dela se a feríssemos ou ameaçássemos feri-la fisicamente. Violência só pode gerar mais violência — um clichê, mas cuja trágica verdade pode ser vista em meia dúzia de conflitos ao redor do mundo. A força da causa da Libertação Animal reside em seu compromisso ético; ocupamos o elevado terreno moral. Abandoná-lo é fazer o jogo dos que se nos opõem.

A alternativa ao caminho da crescente violência é seguir a liderança dos dois maiores — e não por acaso, mais bem-sucedidos — líderes de movimentos de libertação dos tempos modernos: Gandhi e Martin Luther King. Com imensa coragem e resolução eles mantiveram-se fiéis ao princípio da não-violência, apesar das provocações e, muitas vezes, ataques de seus opositores. Por fim, tiveram sucesso porque a justiça de sua causa não podia ser negada, e seu comportamento tocou a consciência até mesmo dos que a eles se opuseram. Os males que infligimos a outras espécies são igualmente inegáveis, quando vistos com clareza; e é na justeza de nossa causa, e não no medo de nossas bombas, que residem nossas possibilidades de vitória.

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Post sobre o post: “A realidade doi meus olhos“


Eu recebi muitos comentários sobre o último post que escrevi, então achei melhor responder/comentar tudo de uma vez, assim acho que consigo abranger mais o assunto no geral.

Sempre fico grata pelas pessoas comentarem meus posts, de uma forma contrária as minhas idéias ou não, pois elas me fazem pensar meu ponto de vista: alguns me fazem reafirmar o que já penso, outros me fazem repensar minha opinião.

Meu blog tem intuito apenas de ser um link com minha cabeça, pois quero não perder minhas idéias ao longo dos tempos e quero ver como que elas foram mudando.

Li um livro maravilhoso do Deepak Chopra no qual ele fala que a gente passa metade da vida tentando impor o nosso ponto de vista para as outras pessoas...

E eu nao tenho este interesse aqui. =)

Um dos pontos que percebi desde que resolvi me tornar vegetariana é que este tema incomoda muitas outras pessoas.

No geral, eu vejo que mudanças incomodam, desde o fato de que a gente muda gosto de música, de hobbies e muitas pessoas ao redor se incomodam... mas, mudança no hábito, como se tornar vegetariano incomoda mais que todos que já vi.

Meu tio me copiou um texto que explica de que forma os seres humanos evoluíram pra um tamanho de cérebro como o que temos agora. O texto explica que a dieta rica em proteínas, naquela época lá atrás significava proteínas de carne animal, foi um fator que contribuíu para que nosso cérebro/corpo fosse o que é hoje.

O texto fala que a dieta em si não foi o fator principal, uma vez que outros grandes mamíferos carnívoros não evoluíram desta forma, mesmo com uma dieta rica em proteína, mas como consegui-la é que foi o X da questão, já que para caçar melhor o homem que tinha habilidade de raciocínio, de comunicação, de sentimento de agir em grupo, habilidades de construir ferramentas para destroçar melhor o animal que foi selecionado.

E que com a dieta propícia evoluímos biologicamente.

Meu tio apenas me mandou o texto para informação e não para contestar meu post (eu adoro ler coisas sobre evolução e comportamento).

Apesar disto, eu já havia escutado este tipo de informação como argumento contra o vegetarianismo.

Hoje em dia, como tudo anda evoluindo muito rápido, dieta rica em proteína não significa dieta rica em carne animal.

As pesquisas na área alimentícia tem nos mostrado o quão ricos em proteínas, vitaminas e minerais os vegetais são e quais são os benefícios que eles nos trazem.

A tecnologia na engenharia de alimentos proporciona atualmente opções de preparados que “imitam” carne, que são feitos de proteína vegetal e pouca gordura.

Eu não sei a respeito do impacto desta opção de dieta sobre o futuro. Aliás, quem sabe, né?

Por um lado, daqui a zilhoes de anos ou menos, poderemos escutar pesquisas com o mesmo caráter desta sobre a “evolução do homem através da arte da caça”, na qual se relata que o homem pelo fato de ter mudado para uma dieta vegetariana elevou a estimativa de vida ou morreu menos de câncer ou passou a fazer menos guerra ou que este fato foi o fator responsável por selecionar pessoas que digerem fibras e então, hoje em dia (no futuro), temos cara de ET e somos verde! =P

Não sei o que nos espera o futuro, só sei que não precisamos comer animal para sobreviver hoje em dia.

Outro argumento que já ouvi algumas vezes é assim, segue a mesma linha deste sobre “somos o que somos, pois comemos carne animal”: “se alguém na sua família estiver doente, você vai deixar a pessoa morrer, pois aquele remédio que pode curá-la foi testado em animais?”.

A resposta é não!

Este tipo de argumento que usa o passado da nossa evolução para tornar legais as injustiças atuais são boas no geral, pois dão um nó na cabeça de quem as ouve, num primeiro momento.

Não temos como mudar os meios pelos quais chegamos a ser o que somos hoje, nem nos aspectos morais quanto menos nos biológicos.

Não devemos “desperdiçar” o que evoluímos através da submissão dos animais. Desde a nossa pré-história até hoje os animais são os nossos maiores “aliados” na evolução, mesmo sendo pouco reconhecidos como aliados e mais vistos como “fonte”.

Olha porque estamos em débito com os animais há tempos...

Eles desde sempre foram e ainda são fonte de alimento.

Eles foram e ainda são fonte de vestimenta.

Eles foram as máquinas de transporte na evolução da nossa agricultura.

Eles foram e ainda são, para muitos, os nossos meios de transporte.

Eles já fizeram o papel que nossos jipes e tanques de guerras fazem hoje, nas nossas guerras.

Eles foram (e são) recursos usados para que a nossa medicina evoluísse.

Eu posso ficar horas pensando no papel dos animais na nossa evolução e mesmo assim não cobrirei tudo.

Não há como eu negar na minha vida em geral tudo aquilo que veio do sacrifício dos animais. Não há porque eu negar usar um remédio que já foi testado no animal. Ele já sofreu, já definhou, já morreu por nós...o que devemos fazer é não testar MAIS neles, é usar a nossa capacidade de achar soluções para que não se usem mais animais para este tipo de coisa.

Outra coisa que escuto é assim: “Eu não gosto nem de gato e cachorro, não gosto de animais e por isto os como.”

Um cara chamado Peter Singer também não “gosta” de animais, não tem um cão e mesmo assim ele é um dos maiores filósofos sobre o movimento de nome Libertação Animal.

Ele diz que não precisamos gostar dos animais, mas temos que respeitar o direto que eles tem a vida e a integridade física.

Confiram o prefácio do livro dele no próximo post. Encorajo todos a lerem para discutirmos!

Outro comentário que recebi foi sobre ser errado ou certo ser vegetariano.

Na minha opinião, uma vez que você tem noção de como funciona uma granja, uma fazenda de criação de porcos ou um abatedouro, você sabe que é certo ser vegetariano. Posso não me "importar" sobre aqueles que moram isolados, afastados, que não tem um computador, não tem acesso a internet ou a TV e por este fato não sabem nem que seja por cima, de onde vem a carne que comemos ou qual é o impacto negativo que as criações de animais pra corte tem na natureza ou o quanto isto poderia mudar a realidade da distribuição de alimentos no planeta...

E mesmo se o animal não sofresse na morte, não seria certo come-lo, uma vez que não descobrimos ainda e tenho certeza de que nunca iremos, quem nos falou que somos os donos do “dar e tirar” o direito a vida.

Então, seja sobre o direito à coisa mais preciosa que temos, a vida, ou seja sobre o bem estar da natureza e de seus recursos, não é certo criar e matar animais para satisfazer a nossa alimentação.

O que pode ser difícil discutir é porque, apesar de sabermos de tudo isto, ainda somos uma sociedade que come muita carne e porque ofende nosso ego o fato de aceitar que isto é errado e tomar a atitude de mudar de hábito.

Outro colega escreveu que o problema é que muitos não se dão conta de onde vem o bife, uma vez que as empresas alimentícias fazem de tudo para que a gente não tenha idéia dos passos que o alimento percorreu desde que era um animal vivo até ser um hambúrguer num fast food. E que este fato não diz que somos “más” pessoas, diz apenas que não olhamos a realidade com olhos inquisidores.
(veja o filme: Naçao Fast Food)

Como escrevi acima, concordo plenamente, mas uma vez que já sabemos desta realidade, não há desculpas.

Era isto, nao acho que vegetarianismo tenha um ponto contra a ser dito. Tirando os "ecochatos", os "ecoterroristas" e aqueles que tiram a carne do cardápio e vivem uma subvida regada de salgadinhos, parar de comer carne só traz benefícios.
 
Quao ruim pode ser poupar vidas?

terça-feira, 13 de julho de 2010

A realidade dói meus olhos



Sabe, a minha cabeca viaja… tenho tanto pensamento que as vezes acho que um dia chegarei a loucura. Acho que meu problema(um deles, claro) é pensar de mais e fazer outras coisas de menos. Um dia acho que serei daqueles que na beira da morte pensam “deveria ter feito mais isto ou aquilo”...ou melhor, acho que todo mundo que tem a oportunidade de pensar na vida sabendo que ela está acabando se arrependem, pois a gente só aprende vivendo e nos meus quase 30 anos, já sei que teria feito muita coisa diferente...

Imagina se a vida me permitir mais uns 50 anos de aprendizados? Vixe, daí terei muita coisa pra me arrepender...e se eu quiser aprender o que a vida já me ensinou, eu farei algo já pra não me arrepender depois.

Os momentos em que eu penso que ficarei louca chegam geralmente depois dos momentos que eu vejo o que o ser humano é capaz de fazer de ruim, de malévolo...geralmente neles é que eu sinto vergonha da humanidade, da minha própria condição de humana e nas coisas ruins ou não suficientes que eu faço ou que me importo.

Daí, me cobro mais, cobro mais ação de mim mesma pra fazer a minha parte, pra contribuir com o bem e tentar, nem que um pouco mais diminuir a maldade na terra.

Aqui vai...

A nossa sociedade vive de matar!!!!!!!
Literalmente: a gente vive de quem está morto!!!!!

Não está certo, ou melhor, é vergonhoso!

Por outro lado, nós seres humanos nos achamos tão bons, cremos que somos tão sentimentais, inteligentes... (eu acho que somos pelo menos, por isto cobro de mim mesma e me indigno com as nossas ações), mas aceitamos, numa boa, ”na nice”, que a maior parte, muitos, zilhoes de pessoas, pessoas que amamos, respeitamos, ouvimos, choramos por elas...aceitamos que elas vivam porque sao nutridas do massacre de milhões de animais!

Eu tô num dilema...como que eu posso fazer a minha parte nao comendo animais e mesmo assim viver junto, amar e respeitar aqueles que comem seres mutilados, torturados????
Vejo uma cena aqui: um cara honesto dentro de um grupo de terroristas...ele só faz as coisas “limpas”, faz a parte honesta dele, pense num contador por exemplo, é como se ele estivesse fazendo o trabalho dele numa empresa lícita.

É assim que penso as vezes....como que eu acho que estou no meu bom caminho sendo que eu fico com a consciência limpa de fazer a minha parte, mesmo que haja tanto bicho sofrendo por ai?

É assim: “ah, eu não mato animal pra comer, mas se eles morrem eu não me importo....”

É isto que vejo com a minha atitude de aceitar a sociedade nossa como é, nutrida todo santo dia por animal morto, sendo repleta de fazendas, esconderijos, laboratórios lotados de animais que sofrem, que são perfurados, que sangram até a morte, que são feito brinquedos pra gente fazer um artigo cientifico dizendo que “o animal parece ter demonstrado o que pros humanos se chama empatia”, ou pra gente mascarar a nossa vaidade atrás de um cosmético que me deixa “1 ano mais bonita” ou pra eu nutrir meu corpo com outro corpo morto, porque “picanha é uma delicia”, “frango a passarinho eu amo” ou “ahhh, presunto parma, me dá água na boca”!??????????

Creeeeeedo, a gente é humano e se acha taaaaaao superior que não somos capazes de não comer um ser que foi morto e talvez torturado e viveu isolado por que o nosso instinto não nos permite????????????????

Se você é uma pooooorrraaaa de um ser digno de ter a "razão", então USE-A.

Se não é capaz de resistir ao instinto de comer algo fruto de tanto sofrimento, então não venha com esta conversa fiada de que somos melhores e mais capazes!

E te digo o oposto: se temos mais pra usar, mais inteligência, mais equilibrio emocional e fazemos isto, então somos “piores” que leões, somos piores que chimpanzés que matam e as vezes torturam outros macacos.

O leão não come outra coisa além de carne...é isto que ele tem pra oferecer...
O chimpanzé as vezes come outro animal....é isto que ele tem pra oferecer...
O ser humano come animal porque QUER...e NAO é isto que a gente tem pra oferecer....

E não me venha com esta:

- ou de que estamos no topo da cadeia alimentar

- ou que dominamos o mundo pois somos mais inteligentes

- ou que comemos animais porque faz parte do processo de evolução DELES!!!!!! (é como espancar alguém e falar que você fez isto pro próprio bem da pessoa...afeeeeeee)

O que a gente é então?

Um bando de cegos arrogantes que se acham deuses e que não enxergam nem um palmo da realidade da nossa própria pobre sociedade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pocahontas

Quando eu estava no cursinho preparatório pro vestibular meus professores discursavam muitas vezes sobre o imperialismo no mundo, sobre os Estados Unidos, sobre primeiro mundo, globalização, fome..… e a lista aqui é imensa de assuntos polêmicos e da moda.

Curiosamente a Walt Disney entrou no rolo por vezes.

Uns professores falavam que nos desenhos havia imagens de preconceito, embutido em símbolos escondidos ou que mandavam mensagens negativas, de terror e por ai vai.

Se é verdade eu não sei, porém creio que muito do que se fala é fruto de pura especulação.

Desculpem-me aqueles que pensam que tudo que vem dos Estados Unidos não presta ou oprime, mas eu sinceramente acho que podemos e devemos obter o bom de todos que oferem o bom! E o que não nos agrada, devemos afastar.

Eu sou fã dos desenhos da Disney, acho a maioria sensacional, bem produzido, ótimas imagens e muitas vezes a mensagem direta, sem estar escondida em símbolos de terror ou seja lá o que mais, é bonita e fala de respeito, fala da natureza, fala da amizade entre todos.

Coloquei aqui um vídeo do desenho Pocahontas...é aquela coisa: brancos x “selvagens” x colonização...mas vale a pena, a mensagem é boa e a música é maravilhosa!


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Duas histórias de amor




Este cãozinho que estão vendo é o Chico e dedicarei este post a falar dele.

Dizem que quando casamos precisamos estar preparados para receber tudo que vem junto no pacote: amigo palmeirense do marido, família do marido, mãe do marido...e no meu caso: o cão do marido!

O Chico foi adotado em uma feira de doação de cães quando ainda era bem filhotinho e na república do Daniel viveu até que casamos.

Este post conta duas histórias de amor: a minha e a do Chico!

Quando resgatei a Pipoca eu já namorava o Daniel que já tinha o Chico!

Logo nos primeiros dias que ela estava em minha casa eu a levei para conhecer o Chico e foi amor a primeira vista! Foi incrível ver como eles se pareciam com amigos de infância e se davam bem!

Porém, esta linda amizade também gerou problemas! A Pipoca pulava um alto muro de minha casa, atravessava um cruzamento voando, pulava o muro da casa da vizinha do Daniel e então pulava para o jardim da casa do Daniel para brincar com o Chico.

Um dia resolvi levá-la para a casa de minha mãe, que sempre segura à bronca com os animais que resgatamos, por não saber o que fazer para ela ficar no perímetro de minha casa.

Ela já estava causando problemas para o Daniel com a senhora vizinha dele, ela poderia ser atropelada no cruzamento ou simplesmente fazer outro caminho e se perder....

Felizmente não deu certo de ela ficar na casa de minha mãe e a solução foi meu irmão me ajudar a colocar uma cerca para aumentar o muro!

Toda vez que a Pipoca voltava da casa do Chico ele ficava triste e olhando pelo portão por horas....

O Chico é assim mesmo, um cachorro leal! Muito leal!

Ele mudou muito desde que o conheci; ele era desconfiado e parece que não sabia receber carinho, mas aos poucos, através da troca de confianças ele foi mudando.

Hoje ainda é meio desconfiado, mas não dispensa um chamego!!

Acho que eu nunca tive um cachorro tão fiel quanto ele.

Ele faz muita festa quando voltamos para casa.

Ele sabe quando o Daniel esta chegando. Ele deve escutar o padrão do barulho dos passos e reconhecer, mas outras vezes ele já esta alerta, imóvel olhando para a porta minutos antes de o Daniel aparecer. É incrível.

Mas ele não é só leal a nós, ele é leal a melhor amiga dele: Pipoca!

Ele não tira os olhos dela quando há outro cão por perto, ele chora (chora mesmo) quando é a vez dela de subir na mesa do veterinário e tomar vacinas e faz a maior festa quando ela desce! É bonito de ver!!

Acho que ela deve olhar pra ele e dizer: “mas você é muito criadão com a vó, não foi nada, estou bem!”.

Eu poderia ter 10 Chicos e mesmo assim não teria trabalho.

O Chico aceita com felicidade o que tem.

Se ficar em casa é a bola da vez, para ele está bom, ele dorme, come, pede carinho e fica ao nosso lado.

Se hoje é o dia de andar na plantação, ele corre, cheira, brinca, volta cansadão e feliz.

Não sei explicar bem, mas acho que vejo serenidade no Chico.

Para mim ele parece aquele velhinho samurai, curvado pelo tempo, sábio e teimoso! rs

Aqui em casa as diferenças estão presentes: Pipoca é o oposto do Chico em muitos aspectos.

Uma agitada, outro calmo, uma alta, outro baixo, uma branca, outro preto, uma bagunceira, outro educado, uma dá trabalho o outro não...



E apesar das diferenças de personalidade de nós 4, o respeito faz a coisa dar certo.

Só encontrei o Daniel, que estava na minha frente fazia mais de 2 anos, quando estava disposta a mudar, aprender e respeitar.

E acho que com os cães é assim também: cada um é do seu jeito, mas eles não brigam por comida, por espaço ou por atenção e ao contrário disto eles trocam de vasilha de comida, de osso e de cama sem estresse!

Apesar de serem macho e fêmea e castrados, eu acredito que isto também seja fruto da Amizade!!

E aqui contei um pouco de uma história de um namoro improvável que virou casamento e uniu 4 amigos!

terça-feira, 4 de maio de 2010

O que a gente aprende com eles




Todo dia na minha casa tenho uma bate papo com meu marido sobre nossos dois cães.

Às vezes um comentário bobo, às vezes compartilhando a bronca que dei em um deles, muitas vezes dando bronca no marido porque brigou com eles ... =) mas muitas vezes é contando sobre seus comportamentos.

Hoje enquanto escrevia um email pra uma amiga que me havia perguntado como foi trazer nossos cães para a Europa eu tive a idéia de escrever este post.

Não é fácil trazer os animais para outro país, da mesma forma que mudar de um país pra outro também não é...mas o esforço vale a pena nos dois casos.

Especialmente enquanto estávamos na Alemanha o convívio com os cães foi um dos pontos mais positivos.

Primeiro por que lá estávamos na nossa primeira casa fora do Brasil e segundo que estávamos imersos numa cultura e idioma muito diferentes dos nossos.

Os cães eram o nosso motivo para estar na rua, andando, conhecendo, fazendo exercício, saindo bem cedo pela manha pra subir morro, correr quando estava frio...

Desta forma apesar do pouco conhecimento do idioma, pudemos entrar na cultura e nos relacionar com os donos de outros animais que lotavam os parques ou mesmo com aqueles que se encantavam com a Pipoca pelos seus olhos azuis e com o Chico por ser taaao gracinha! =)

Ter morado em um apartamento com eles não foi fácil, mas por outro lado o dever de estar na rua com eles nos ajudou mais do que poderemos imaginar.

Ser dono de um cachorro feliz não é fácil!

E me refiro a Pipoca, uma linda vira-lata branca, que deve ter um sangue que mistura husky, akita e muitos outros, que tem olhos azuis, grandes orelhas pontudas e uma energia que não acaba quase nunca!

Ela é semi responsável, o que significa que tem certas coisas que ela obedece, mas tem outras que não, jamais, pode até rezar que não adianta!

Ela é ansiosa, bagunceira, muito curiosa e inteligente...

A Pipoca não tem medo e nem vergonha de ser feliz. Quando está nos parques ela corre o mais rápido que pode sem olhar pra trás, dá umas duas voltas assim e volta ao normal.

Hoje levei os dois na plantação aqui perto de casa e foi ai que percebi que deveria ser mais como ela...

Ela corre - com sorriso no rosto - sentindo o vento bater em sua cara! É o que a diverte, então ela não perde tempo, corre mesmo, salta, cheira...

Ela não perde um raio de sol! Por mais que ela seja toda agitada e energética, ela sabe curtir um dia de sol, deita na grama, fecha os olhinhos e fica la, tipo lagartixa....

Ela não é um cão dependente, não fica grudada em mim, mas é carinhosa e boa companheira.

Tenho que admitir que através dela que eu percebi o quão responsáveis temos de ser ao ter um animal em nossas vidas.

Eles são seres super complexos e cheios de sentimentos e por não falarem nossa língua e não se expressarem como nós humanos, é que temos de estar atentos a quem são eles, o que gostam, quais são as suas necessidades, como estão de saúde e etc.

A Pipoca é uma amiga e com ela eu aprendo diariamente um monte de coisas:

- Lute sempre pelo que você deseja – ela fica um pé no saco, não desgruda até que ela tenha seus minutos de correria.

- Não tenha vergonha de ser feliz – quando ela esta fazendo o que gosta se solta mesmo, se diverte! Ela corre, cai, levanta, dá cambalhota (agora é engraçado, mas quando eu a vi correndo feito doida num morro e dando duas cambalhotas no ar, fiquei com medo, achei que ela tivesse se machucado)...

- Seja você mesmo, viva com a sua “cabeça” e não grude nos outros – ela é na dela, as vezes ela é “na dela” demais e não é daquelas chatas melosas!

- Se cair, levanta! (este não preciso relatar! Hehehe)

- E nunca perca uma oportunidade de relaxar ao sol!


O próximo post será sobre o Chico, meu outro caopanheiro!!! =)